A Feira ABC 2010, além de reunir o potencial econômico do Grande ABC em um só local e data, no caso o Pavilhão Vera Cruz no período de 22 a 25 de setembro, conta também com o apoio de diversas instituições. Entre elas, está o Sindicato dos Químicos do ABC, que representa mais de 40 mil trabalhadores do segmento na Região. Na visão de Paulo Lage, presidente da entidade, o papel do sindicato nos dias de hoje transcende as reivindicações e se faz pela parceria com as empresas em busca de novas oportunidades.
Dessa forma, o SindQuim viu na Feira ABC uma chance de desenvolvimento para o setor e declarou apoio na divulgação e organização do evento. Em entrevista exclusiva ao Boletim Feria ABC, Paulo Lage aprofunda esse novo modelo de sindicato, além de abordar temas relevantes para a indústria petroquímica/química, como a fusão entre Braskem e Quattor e a presença da inovação nas empresas. Leia a íntegra abaixo.
Agência Grande ABC: Qual é a situação atual do Sindicato dos Químicos do ABC? Quantos filiados vocês possuem hoje e como tem sido a relação com as empresas?
Paulo Lage: O Sindicato dos Químicos do ABC representa mais de 40 mil trabalhadores e trabalhadoras nas mais de 900 indústrias instaladas nas sete cidades da região. Desse total, cerca de 20 mil são associados ao Sindicato.
Agência GABC O setor petroquímico e químico é um dos segmentos de maior relevância econômica para o Grande ABC. Quantas pessoas estão hoje, aproximadamente, empregadas nessas atividades na Região? O mercado está contratando?
PL: Cerca de 5 mil trabalhadoras e trabalhadores do ramo químico no ABCD estão empregados em indústrias petroquímicas, como Braskem e Oxiteno. Seguindo o ritmo de crescimento do País e da Região, em particular, as indústrias químicas como um todo estão contratando, o que faz contrabalancear a elevada rotatividade que ainda persiste devido à falta de uma legislação que coíba de forma eficiente a demissão imotivada. Só para ilustrar com números este problema, se pegarmos todas as indústrias químicas instaladas no Estado de São Paulo, entre janeiro e julho deste ano, foram desligados 61.596 trabalhadores. Como outros 77 mil foram contratados no mesmo período, o saldo está positivo em 15.703 novos postos de trabalho gerados no ramo. Mas o problema é esta enorme rotatividade, que afeta profundamente a vida do trabalhador e de sua família e acarreta prejuízos para a empresa, que descarta trabalhadores com experiência.
Agência GABC: O segmento de plásticos assistiu, há algum tempo, à fusão da Braskem com a Quattor, o que resultou em uma megaempresa do setor, praticamente um monopólio. Como você analisa essa situação. Ela é positiva?
PL: A aquisição da Quattor pela Braskem tem aspectos positivos e negativos. O positivo é o ganho de escala para ampliar a competitividade num mercado global, o que atribui sustentabilidade de longo prazo à empresa. O negativo é que ela coloca em risco os empregos na região do ABC, caso não haja uma clara decisão de manutenção de investimentos para a ampliação da capacidade de produção do Pólo de Capuava. Para que isso aconteça, tenho mantido seguidos contatos com a direção da empresa e com o presidente da Petrobras.
Agência GABC: Muito tem se falado hoje de inovação no Brasil, mas um estudo da Roland Berger Strategy Consultants, divulgado há um mês, colocou o Brasil em 68º lugar em um ranking mundial de inovação, despencando 18 posições com relação a 2009. Como o Sindicato dos Químicos vê essa questão da inovação no setor?
PL: O setor químico é intensivo em capital e depende fortemente de investimentos em pesquisa e desenvolvimento para o seu permanente progresso. Acompanhamos os impactos destas novas tecnologias que são permanentemente geradas pela indústria, para garantir que signifiquem melhorias nos produtos da indústria o que, para nós, significa mercadorias úteis ao desenvolvimento produtivo e social do País e do mundo, que não agridam o meio-ambiente e que, principalmente, sejam fruto de processos produtivos baseados em trabalho decente. Por exemplo, o Sindicato atua desde 2008 em grupos de trabalho sobre nanotecnologia, área de fronteira da indústria química mundial. E se a indústria química brasileira quiser aproveitar as oportunidades do Pré-Sal, terá que investir ainda mais. E não apenas em desenvolvimento de produtos e processos, mas na formação dos trabalhadores e trabalhadoras do ramo. Ou seja, mais qualificação.
Agência GABC: A Feira ABC é um evento promovido pela Agência. Na sua opinião, qual a importância de um evento como esse para a economia local? De que maneira ela pode contribuir para o desenvolvimento regional?
PL: A importância é crucial e estratégica, na medida em que pode colocar no mesmo ambiente todo o potencial regional, em termos de indústria e de serviços.
Agência GABC: De que maneira a Feira ABC pode contribuir também para os trabalhadores da Região, especificamente os do setor petroquímico/químico?
PL: Olha, a ampliação dos negócios acaba sempre refletindo em aumento da produção e, portanto, no aumento da contratação. Para o setor petroquímico e químico em particular, nós vemos com bons olhos a oportunidade de se cadastrar como fornecedor da cadeia do Pré-Sal. Especialmente as pequenas e médias empresas dos segmentos de plásticos, colas e adesivos, tintas e vernizes entre outros, deveriam aproveitar essa chance para ampliar os seus negócios e atribuir, dessa forma, mais segurança de emprego aos trabalhadores e trabalhadoras do setor.
Agência GABC: Qual a importância do engajamento de Sindicatos em eventos como a Feira ABC?
PL: No Brasil de hoje, os Sindicatos de trabalhadores desenvolvem um papel mais amplo do que apenas reivindicar melhores salários e condições de trabalho adequadas. Nosso Sindicato, por exemplo, alertou as pequenas e médias empresas do setor no ano passado sobre a necessidade de se registrar na União Européia para continuar exportando para aquele continente. Era a exigência do REACH (Registro, Avaliação e Autorização de Substâncias Químicas), uma nova legislação voltada para a proteção do meio ambiente e da saúde, que tem também o nosso apoio. Agora não é diferente. E por esse motivo, nossos secretários regionais e Comissões de Fábrica estão convidando suas empresas a participar das atividades da Feira. Fazemos isso porque defendemos mais e melhores empregos. E porque acreditamos na capacidade do ABC vir a se tornar uma importante zona de apoio às atividades do Pré-Sal na Baixada Santista.
Fonte: Filipe Rubim - Agência Grande ABC


